A certa altura da vida, as pessoas tendem a se acomodar. Coisa que não aconteceu com a Dilva. Ela resolveu aprender modelagem e foi atrás como uma adolescente guerreira. Ônibus de Caxias a Porto Alegre, táxis, carregamento de materiais, cansativas aulas a tarde inteira e o retorno a Caxias, para continuar ainda com as tarefas de casa. Persistente, procurou diversos professores, aprendeu um pouco com cada um e, assim, construiu seu estilo.
O resultado foi a explosão de seu talento. Não teme o tamanho do trabalho, aceita desafios, descobre soluções. Toma como modelo pequenas fotos e consegue transmitir uma verdade. O tempo vivido aflora nos rostos modelados, os familiares reconhecem. Assim ela recupera uma memória que não é a sua, e a reconstitui. As fotos, símbolos da ausência, tornam-se presenças. O primordial re-vive.
Indo na contramão deste tempo das aparências, onde as pessoas buscam a juventude no encurtamento de suas peles, Dilva faz o inverso: expande a sua alma e consegue, com seu talento, a juventude almejada.
Bernardete Conte
Psicóloga e artista plástica, sobrinha-afilhada,
foi professoras de modelagem da Dilva no ano de 1999